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BIOGRAFIA
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Apontamentos feitos numa unidade do Corpo de Bombeiros de São Paulo (ao seu lado, o desenhista Natan).

Benedicto IGNÁCIO JUSTO de Siqueira

Publicou sua primeira HQ, "Aventuras de Paulinho" (homenagem a um primo), em 1942, pouco antes de completar 10 anos de idade, no Suplemento Juvenil, de Adolfo Aizen. Desde então, manteve-se, até 1959, desenhando como simples passatempo. Todavia, quando conheceu Nico Rosso, que o apresentou à Editora Continental, começou a ganhar dinheiro pelos seus trabalhos, fazendo quadrinhos de guerra e terror, passando a conviver com artistas que, como ele, se consagrariam: Shimamoto, Delbó, Jayme Cortez, Getúlio Delphin, Igayara, Osvaldo Talo, Maurício, Gedeone, Izomar, Colonnese, Zalla e Lyrio Aragão, entre outros.
Seu espírito guerreiro o faria, a partir de então, encetar uma malograda campanha pela nacionalização das HQ, que resultou num cisma. Na editora, permaneceram ele, Rosso e alguns desenhistas iniciantes.

Ingressou, em 1954, na Infantaria do CPOR (Curso de Preparação de Oficiais da Reserva), de São Paulo, de lá saindo como tenente. Não prosseguiu na carreira militar, porém, apaixonou-se por aviação. E em 1956 entrou para o Aero Clube de São Paulo, tendo se aprofundado nos estudos da aviação mundial – suporte para suas histórias de guerra – e feito muitos vôos pelo Brasil.

Sempre manteve nas suas HQ, a despeito de quaisquer governos, suas mensagens de humanismo, em todos os seus traços e tramas, desde o gênero de guerra ao terror, como se comprova nos trabalhos publicados em todas as editoras que desfrutaram dos seus excelentes trabalhos, como a Taika, a Pan Juvenil, a Edrel e a Abril, com fartas informações políticas, realistas e didáticas, revolucionando a narrativa das histórias em quadrinhos, inclusive, desenhado histórias "sem quadrinhos", isto é, sem contorno nas montagens dos quadros, fato que aconteceria com bastante freqüência nas HQ modernas dos super-heróis americanos, já na era da computação gráfica. Quando deixou de desenhar para a Editora Taika (que sucedeu a Outubro, sucessora da Continental), em 1971, tornou-se um dos principais colaboradores da MeC, de Minami e Cunha, egressos da Edrel.

Foi responsável, direta ou indiretamente, pelo lançamento de dezenas de artistas, que se alimentavam, artística e culturalmente, das suas aulas no estúdio que chamava de "barraco", como: Pedro Mauro Moreno (há anos, radicado nos Estados Unidos), Salathiel de Holanda, com quem fez "Samurais" (Combate nº 30, Taika, s.data), Natanael Fuentes, José Luiz Pinto, Egberto Barbosa, Lincoln Ishida, Aparecido Cocolete, Wanderley Felipe, Antônio Fernandes Filho (Tony Fernandes), Agenor Silva, Ingo Passolde, Alcione Arauda (publicitária) e Marcos Silva (ilustrando na Espanha), entre outros.

Com um trabalho alicerçado nos claros-escuros, nas consistentes pinceladas e nos vigorosos traços, que marcariam seu estilo inconfundível, fez centenas de HQ, de todos os gêneros.

Artista culto e de grande discernimento, comanda seus traços de acordo com a necessidade da obra, como na suavidade da excelente obra sobre histórias do Exército, Marinha e Aeronáutica brasileiros, publicado no Almanaque Disney (Editora Abril, 1972 a 1973), ou como nos cartuns feitos para ilustrar piadas de revistas da Editora Edrel, em 1970, mostrando-se eclético e desenvolto, como poucos. (Desenhou, também, histórias de samurais, de folclore e de ficção científica.)

É especialista em anatomia (humana e animal), material e assuntos bélicos, desde armamentos medievais a modernos aviões de bombardeio, qualidade destacada no livro "A Técnica do Desenho", de Jayme Cortez.

Seu trabalho foi levado a Okaido (Japão), na década de 1980, por Kaioko Ogawa, tornando-se o grande destaque. Fez as mais belas e fascinantes histórias de guerra do acervo quadrinístico nacional, narrando desde as tramas mais fantásticas às mais realistas da Força Expedicionária Brasileira, na campanha de Monte Castelo, Itália, na Segunda Grande Guerra Mundial.